sábado, 3 de novembro de 2012

Preso

Tenho andado á procura
mas não te encontrei.
Tua pele lisa de brancura 
pele que  nunca toquei. 

Tenho andado ás voltas,
mas não vejo o caminho
Coração em sombras,
sombras engolindo o caminho.

Cansado, a delirar
só me vejo ás voltas.
voltas...voltas
Difícil de equilibrar.

O meu rosto,
as minhas lágrimas,
o meu pensamento
correm pelas águas.

Minhas mãos feridas
minhas mãos doem
Ruas perdidas
Caminhos que não se constroem.

Sinto-me preso
Preso...preso
como lume aceso
impedido de deflagrar
incapaz de chorar
na dor de gritar
com alma de implorar.

A última gota de água
que Deus fez viver
Sou a última mágoa
que a terra viu crescer. 

A invocar lágrimas de sangue
corrompendo o manto que me preserva
Enquanto a noite já grande
se estende e me observa.