Eu, leitor. É assim que começa a minha
definição de mim mesmo, no que diz respeito às viagens que faço, aos caminhos
que percorro, durante a minha leitura. Perco-me pelas linhas infindáveis das
obras, a meu ver, literariamente requintadas, absorvo-as como se de uma última
gota de água no deserto se tratasse. É todo um processo de apagamento do
exterior, ele desaparece em pequenas negras peças, tal como desaparece um papel
queimado. Intransmissível. Sentida. Melíflua. Pecadora. Torturante. Direta,
todavia subjetiva e é tudo isto o que a leitura é para mim, leitor.
Não
desfazendo de todos os outros criadores da Arte Escrita, Saramago - José
Saramago- é o que, verdadeiramente, domina a técnica. Escreve, inspira,
influencia, motiva à reflexão, incute cultura, cria sonhos. É ele mestre do
objeto, que é a Escrita, do qual outros
são meros aprendizes. Caim, foi a obra
que me trouxe o amor pelas linhas de Saramago. Ensaio Sobre a Cegueira, Memorial do Convento, ambas as histórias
detalhadamente construídas, desde datas a nomes, acontecimentos históricos a
acontecimentos extraídos pela imaginação. As
Intermitências da Morte, a minha atual experiência enquanto servo da
Literatura. Percorri apenas cento e vinte páginas, mais coisa menos coisa, no
entanto mesmo com a leitura não concluída, tiro o chapéu. Eu, leitor, declaro a minha vontade de ler
toda a obra daquele eterno Nobel da Literatura Português, José Saramago.
Nunca
devemos apenas trabalhar com mestres. Os aprendizes, esses…também eles nos
trazem ensinamentos, caminhos de viagem, imaginações férteis. Gabriel García
Marquez, por exemplo, é aprendiz da Literatura, mas mestre nos seus cantos
literários livres de quaisquer pudor. Nomes como Ernest Hemingway, Homero,
Vergílio, Voltaire, Goethe, Fiódor Dostoievski, Sófocles, William Shakespeare,
todos eles já me passaram pelo olhar atento às suas letras. Eu, leitor não me
deixo atrair por todos os nomes que nas mãos me caem. Acredito que todos nós
temos um único ídolo da Literatura e ganhamos amor especial por uma única obra,
no meu caso, elejo Ensaio Sobre a
Cegueira, todavia perguntar qual o livro mais marcante é injusto, não
queremos nunca descurar do nosso amor pelas outras obras, embora ache que
ler
Como
amante desta arte, acredito e afirmo que a subjetividade, ou a falta dela, são
a maior dificuldade deste particular mundo. Descobrir o além de cada uma das
palavras , imaginar o que elas poderão, ou não, dizer, torturar-nos devido à
insistência pela procura do que querem elas dizer afinal. A história está lá no
livro, mas nós leitores- sim, falo no coletivo- criamos histórias adjacentes à
principal.