sábado, 15 de fevereiro de 2014

Eu. leitor

   Eu, leitor. É assim que começa a minha definição de mim mesmo, no que diz respeito às viagens que faço, aos caminhos que percorro, durante a minha leitura. Perco-me pelas linhas infindáveis das obras, a meu ver, literariamente requintadas, absorvo-as como se de uma última gota de água no deserto se tratasse. É todo um processo de apagamento do exterior, ele desaparece em pequenas negras peças, tal como desaparece um papel queimado. Intransmissível. Sentida. Melíflua. Pecadora. Torturante. Direta, todavia subjetiva e é tudo isto o que a leitura é para mim, leitor.
Não desfazendo de todos os outros criadores da Arte Escrita, Saramago - José Saramago- é o que, verdadeiramente, domina a técnica. Escreve, inspira, influencia, motiva à reflexão, incute cultura, cria sonhos. É ele mestre do objeto, que é a Escrita, do qual  outros são meros aprendizes. Caim, foi a obra que me trouxe o amor pelas linhas de Saramago. Ensaio Sobre a Cegueira, Memorial do Convento, ambas as histórias detalhadamente construídas, desde datas a nomes, acontecimentos históricos a acontecimentos extraídos pela imaginação. As Intermitências da Morte, a minha atual experiência enquanto servo da Literatura. Percorri apenas cento e vinte páginas, mais coisa menos coisa, no entanto mesmo com a leitura não concluída, tiro o chapéu.  Eu, leitor, declaro a minha vontade de ler toda a obra daquele eterno Nobel da Literatura Português, José Saramago.
Nunca devemos apenas trabalhar com mestres. Os aprendizes, esses…também eles nos trazem ensinamentos, caminhos de viagem, imaginações férteis. Gabriel García Marquez, por exemplo, é aprendiz da Literatura, mas mestre nos seus cantos literários livres de quaisquer pudor. Nomes como Ernest Hemingway, Homero, Vergílio, Voltaire, Goethe, Fiódor Dostoievski, Sófocles, William Shakespeare, todos eles já me passaram pelo olhar atento às suas letras. Eu, leitor não me deixo atrair por todos os nomes que nas mãos me caem. Acredito que todos nós temos um único ídolo da Literatura e ganhamos amor especial por uma única obra, no meu caso, elejo Ensaio Sobre a Cegueira, todavia perguntar qual o livro mais marcante é injusto, não queremos nunca descurar do nosso amor pelas outras obras, embora ache que ler  

Como amante desta arte, acredito e afirmo que a subjetividade, ou a falta dela, são a maior dificuldade deste particular mundo. Descobrir o além de cada uma das palavras , imaginar o que elas poderão, ou não, dizer, torturar-nos devido à insistência pela procura do que querem elas dizer afinal. A história está lá no livro, mas nós leitores- sim, falo no coletivo- criamos histórias adjacentes à principal. 

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