Corro no negro abismo de papel, deslizo o lápis procurando um subterfúgio de ofensas.Olho para a janela e por ela vejo o nada a resplandecer, a luz imóvel brilha onde não há lugar, onde não passa ninguém. Saio e sigo a estrada, vou a pé, com medo, a tremer, onde tudo é raro e húmido, turvo como esta luz. Aproximo-me de um beco sem saída, vejo o erro que em ti por mim se sente, sinto que falhei, sei que tu também.
Apago as memórias dos sorrisos guardados, das trevas enevoadas e embrulhadas em papel fio de ópio, aqui não mora ninguém.
Sigo viagem, sei que não devia dizer, o amor é um lugar comum onde nascemos para morrer, não há cinzas para delas renascer, sinto que errei, sei que tu também.
Retiro o cordel do pano do presente que me deste, retirei...o anel que nunca usei, sei que falhei, sei que tu também.
Corro pela estrada, fugazmente lembrando o teu sorriso, turvo como esta luz. O caminho está preso, tem uma corda ao pescoço, pede auxílio pela água que o fortalece, pelo sol que o aquece e reconhece.
O mundo mudou e não vai parar, não adianta tentar controlar, quanto mais tentativas imponho, mais fácil será para me enrolar. Deitar ao mar o corpo a sonhar, faço, invento, crio um enorme desperdício de ideias para nós os dois que não quero usar. Tu já sabes que não escondo ilusões, crio enorme vício em ambições que nunca poderei ter.
Dou um tiro no escuro, onda de cera, não sei se acertei. O tiro foi puro, levemente só, quando vi eras tu. Sinto que falhei. Olha bem para mim, diz-me que errei, sei que tu também.
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