sexta-feira, 22 de março de 2013

Carta de um suicídio


Ele, só ele restava. Aquele espaço vazio , cheio de silêncio e a transbordar de nevoeiro. Seria, no entanto só ele. Seria só ele se seu pensamento não habitasse sua alma, assombrando-lhe o coração e fazendo as suas veias rebentar de tensão.
Poderia estar quieto. Mas não esteve. Deslizou sobre aquele mar empastado de sangue, objetos cortantes e maus presságios. Mentes vingadoras de um passado idílico, onde o belo estaria corrompido pelo fantástico Maquiavélico. Passado esse, que se marca no presente. Passado que o marca , que o faz relembrar cada toque amargamente sedutor, cada palavra desdenhosamente melíflua, cada gesto caridosamente feito de forma errática. 
A sua ingenuidade que hoje controla o Mundo. O seu Mundo, quase como se o próprio não se apercebesse de que o fazia. O poder era concentrado nas suas mãos de forma ainda desconhecida, representado pelo esquecimento de um Ser, outrora não ser, mas desejo de não o ser.  Calafrios. Suores. Arrepios. Medo, Terror. Repugnância. Nojo. Fascínio . Isso, fascínio. Aterrorizante fascínio foi tudo o que lhe restou.
Hoje , desde há algum tempo atrás, é aquele Ser que não quer ser. Que quer cortar a linha do destino, a infâmia  que cruza a vida com o destino. Cruzamento curioso esse…
Que Rei quer destronar-se a si próprio? Há, sim há Reis desses. Cada um é Rei do seu trono. Cada Rei se humilha perante o seu público , se rebaixa perante as suas dúvidas. Mas há aqueles que se destronam de imediato. É  a teoria do efeito-causa . Morte por Dissabor. Eufemismo este, dissabor…
Salvação de uma vida estúpida que cheira amargamente esse abismo ordinário que é nada mais, nada menos que Vida.  O que se sonhou, nunca antes tivera sido sonhado. O vivido o não fosse. 

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