Ele, só ele restava. Aquele espaço vazio , cheio de silêncio e a
transbordar de nevoeiro. Seria, no entanto só ele. Seria só ele se seu
pensamento não habitasse sua alma, assombrando-lhe o coração e fazendo as suas
veias rebentar de tensão.
Poderia estar quieto. Mas não esteve. Deslizou sobre aquele mar empastado
de sangue, objetos cortantes e maus presságios. Mentes vingadoras de um passado
idílico, onde o belo estaria corrompido pelo fantástico Maquiavélico. Passado
esse, que se marca no presente. Passado que o marca , que o faz relembrar cada
toque amargamente sedutor, cada palavra desdenhosamente melíflua, cada gesto
caridosamente feito de forma errática.
A sua ingenuidade que hoje controla o Mundo. O seu Mundo, quase como se o
próprio não se apercebesse de que o fazia. O poder era concentrado nas suas
mãos de forma ainda desconhecida, representado pelo esquecimento de um Ser,
outrora não ser, mas desejo de não o ser.
Calafrios. Suores. Arrepios. Medo, Terror. Repugnância. Nojo. Fascínio .
Isso, fascínio. Aterrorizante fascínio foi tudo o que lhe restou.
Hoje , desde há algum tempo atrás, é aquele Ser que não quer ser. Que quer
cortar a linha do destino, a infâmia que
cruza a vida com o destino. Cruzamento curioso esse…
Que Rei quer destronar-se a si próprio? Há, sim há Reis desses. Cada um é
Rei do seu trono. Cada Rei se humilha perante o seu público , se rebaixa
perante as suas dúvidas. Mas há aqueles que se destronam de imediato. É a teoria do efeito-causa . Morte por
Dissabor. Eufemismo este, dissabor…
Salvação de uma vida estúpida que cheira amargamente esse abismo ordinário
que é nada mais, nada menos que Vida. O
que se sonhou, nunca antes tivera sido sonhado. O vivido o não fosse.
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