sexta-feira, 5 de abril de 2013

Era uma vez Ele


Era uma vez Ele. Um rapaz à moda da Antiga Grécia. Mente sã , corpo são. Um jovem, ainda pequeno. Cabia-lhe o Mundo no olhar . O sorriso marcava-lhe o rosto.
O que anatomicamente saiu perfeito , o que o campo da ciência dominou, desmoronou um dia.  A Mancha levou-o. Não. Não o levou, mais ainda hoje o pinta de negro. Uma dura cicatriz ainda aberta na sua mente , tomou conta dele desde muito novo. Não posso dizer nem o nome nem a causa. Esses estão guardados no meu coração. Mas sentai-vos. Contar-vos-ei de onde veio a minha Inspiração . Antes, uma breve introdução à minha Inspiração . Surge com I grande , porque se trata de uma grande personagem…épica. Só não se chama Inspiração, porque Deus assim o não quis. Mas transmite-a aos mais hábeis de sua mente. A Amabilidade, a Generosidade, a Honestidade , Humildade , Lealdade, Simplicidade… são Ele. Mas tanta é a extravagância que em mim transmite!
Conheci a minha Inspiração In Medias Res . Já o acontecimento ia a meio e vai assim por diante dissipando a Mancha. Via-se asfixiado , Ele , a minha Inspiração. Sempre foi inteligente , culto , estratégico. A estratégia de facto cruza-lhe o olhar , como que se fundisse as entrelinhas do universo , conseguindo esquemas perfeitos. O futuro prometia-lhe algo de grande  e ele centrava-se no presente. Longas foram as viagens que fez, os caminhos que percorreu , deles sempre retirando algum ensinamento para a vida. Aprendeu desde muito cedo como crescer. Experienciou logo bastante os dissabores de uma vida amargamente auspiciosa , efeito resultante da Mancha.
O seu Espírito , por intermediários, sempre esteve ligado ao Oculto , ao Sobrenatural.
Entre todas as montanhas que escalou , encontrou um dia o seu fiel companheiro de todas as horas , cujo nome também não irei revelar. Cândido , não de nome, mas de aspeto . O seu melífluo ar e a sua atonal cor conferem-lhe a Candura de um fiel companheiro, como já eram famosos os das Picarescas lá no tempo do Barroco.
A luta constante pela vida , pelo novo sorriso da nova época que, por tanto Ele anseia, por fim começou a dar os primeiros gorjeios , no entanto, não tem uma filosofia otimista como Leibniz. Já este no seu século XVIII cantava o mundo Cândido, que o não era. Dizia que um Deus havia criado um mundo , de modo a ser o melhor dos mundos possível, não perfeito por conseguinte.  Já assim Pangloss, de Voltaire , o afirmava também. Já a personificação da minha Inspiração assim o não é. Pensa. Pensa muito criando Manchas . Mas eu acredito e, reitero que acredito, que o positivo lhe trará surpresas , porque no mio do céu coberto das nuvens mais negras,  há sempre um raio de Sol que logo coloca término à tempestade. 

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